segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Testemunhos de um Bonecreiro II


Esta tarde, deste dia de 13 de Dezembro de 2010, foi mais uma tarde de cruzamento de informações e nostalgia.
Deparei-me com uma plateia de média de idades de 60 anos, o que prometia ser uma das plateias mais exigentes neste tipo de espectáculos de D.Roberto.
A velha juventude que assistia ao Barbeiro foi de uma alegria e entusiasmo brutal, reagindo mais e melhor do que algumas crianças muito activas. O D.Roberto ouviu desde conselhos a gargalhadas, tudo isto rodeado pelo belo cenário da Cadeia da Relação e dos Clérigos.
Chegado o final do espectáculo, um senhor veio até mim dando-me os parabéns pela preservação da tradição e pela alegria que lhe proporcionei com o espectáculo.
Quando eu lhe dizia que seria provável alguém ter feito espectáculo naquele mesmo perímetro disse-me que sim, e com a certeza de aos 15 anos ter visto vários espectáculos do outro lado da rua, mesmo no largo da cadeia, onde viu inumeras vezes antigos bonecreiros virados para as grades da fachada da Cadeia da Relação, representando algumas histórias de Robertos.
'Os presos com as mãos de fora das grades batiam palmas...' contou-me com alegria e de olhos molhados, demonstrando a alegria de relembrar esses tempos, e a alegria que os reclusos sentiam nessas horas.
Durante essas crónicas, esse senhor troteava sons, como: 'Truuu, truuu!' e dizia-me era assim mesmo que eles faziam (rindo), ao que se aproxima uma jovem senhora de 80 anos que diz para mim: 'Raio de casamento!', presumindo eu que fosse parte de alguma das histórias que tivesse ouvido outrora numa outra juventude.
Vim de coração cheio, pois fiz um espectáculo de benificiência para a CAIS no âmbito da iniciativa 'Pão Por Todos Para Todos' e juntamente com os mais carenciados estavam estas jóias ou poços de lembranças que nada mais são que compêndios de outros tempos.


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