sábado, 24 de dezembro de 2011

O Bonecreiro na tirada da cortiça

Hoje tive o prazer de realizar e dedicar um espectáculo de Teatro D. Roberto a um jovem casal octagenário do Ciborro - Montemor-o-Novo. A Dona Ermelinda e o seu marido Benígno Salvaterra deram-me almoço na sua casa no Ciborro, e viajaram comigo e com o meu cunhado (seu neto) para celebrar o Natal em família em Azeitão. Pela hora da ceia 'puxei' da barraca e fiz 'O Barbeiro' para todos os que estavam à mesa, dedicando esta função ao casal Salvaterra.
No final o senhor Benígno disse-me assim: 'Eu quando era gaiato, tinha eu uns 8 ou 9 anos, ia com os meus pais para as tiradas da cortiça. No final do dia vinha um bonecreiro como você de carroça, e nas varas da carroça montava o pano e fazia o espectáculo para toda a gente da tirada. Aquilo era uma alegria. E eu ainda era pequeno... ia com os meus pais. Eles iam trabalhar e eu lá andava com eles de monte em monte.'
Aqui está mais um testemunho e uma testemunha viva de que o nosso país há 70 anos estava 'inundado' de bonecreiros, e cada região tinha os seus com as suas particularidades. Neste caso, na zona de Montemor-o-Novo, havia este da carroça. Quem seria ele? De onde viria? Que espectáculos faria? Incógnitas para a vida. Mas a razão sempre ao de cima; o bonecreiro e as suas funções para o povo.
Eu também sou bonecreiro, talvez com uma vida mais folgada do que outrora, e este Natal recebi e partilho mais um testemunho.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

MARIONETAS DA FEIRA @ GENT - BÉLGICA


É com enorme prazer que informamos todos os nossos amigos e seguidores das nossas produções e acções, que estaremos presentes no 23.º International Puppetbuskersfestival em GENT, na Bélgica, de 22 a 24 de Julho.
Iremos representar o nosso país neste grandioso festival, que é um dos marcos históricos entre os eventos emblemáticos do teatro de marionetas mundial.
Levaremos a cena 'Puppetologia', que é um dos nossos espectáculos de maior êxito devido à sempre calorosa recepção do público a esta produção, e devido à técnica de marionetas de fios.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

'WAR HORSE'|New London Theatre


A minha amiga Sara Trindade (fã do mundo das marionetas) presenteou-me com um vídeo de excelência.
Trata-se do trailler de 'War Horse', uma peça de teatro com actores e marionetas em tamanho real. As marionetas são cavalos nem tamanho real que são manipulados pelo seu interior e exterior.
Foram 6 anos de trabalho de pesquisa, produção e ensaios até à estreia.
O New London Theatre merece uma grande vénia minha.

'War Horse' - New London Theatre



War Horse is a powerfully moving and imaginative drama, filled with stirring music and songs – a show of phenomenal inventiveness. Based on the much-loved novel by Michael Morpurgo, at its heart are astonishing life-sized puppets created by South Africa’s Handspring Puppet Company, who bring breathing, galloping, charging horses to life on the stage.


War Horse opened at the National Theatre on London’s South Bank in autumn 2007. It quickly became an overnight sensation and, every ticket having been sold for its first run, returned to the National the next autumn. Having concluded its spectacularly successful second run, the production transferred to the New London Theatre in the West End, where it has been playing to packed houses ever since. The show is currently booking into 2012.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Marionetas.vs.PJ Harvey

Ora aqui vai mais um achado para os fãs de marionetas.
Um video da PJ Harvey, da canção 'Let England Shake'.
O Punch e a Judy são marionetas da companhia Poulton Puppets, de Paington - Devon.
Aqui fica o site www.poultonpuppets.co.uk.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Marionettes.vs.Malkovich


Hoje veio-me à memória um filme com um excepcional trecho com marionetas.
O filme: 'Being John Malkovich' - 'Quem quer ser John Malkovich'.
Marionetas de fios num filme de excelência - a meu ver.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Rua no Porto com nome de João Paulo Seara Cardoso



O nome de João Paulo Seara Cardoso, mentor do Teatro de Marionetas do Porto, que morreu em outubro do ano passado, foi proposto para uma rua desta cidade, disse hoje o membro da Comissão de Toponímia Hélder Pacheco.

A proposta é que Seara Cardoso dê nome a um novo arruamento da freguesia de Campanha.
Hélder Pacheco explicou que, neste como noutros casos, a Comissão de Toponímia prefere trabalhar a partir de propostas da câmara ou do público em geral.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

'De Se Tirar O Chapéu', a 20 de Fevereiro no Fórum FNAC Mar Shopping


'De Se Tirar o Chapéu'
Data: 20 de Fevereiro de 2011
Hora: 17h00
Local: Fórum Fnac MarShopping

É um espectáculo delicioso e carinhoso da autoria de Rui Sousa.Vários chapéus dão origem a várias situações de teatro de animação.O chapéu, a sua cor, o que estará lá dentro ou o que acontecerá com este? São questões colocadas pelo público e pelo próprio actor.Umas situações atrás de outras, tendo sempre como base o chapéu, todas diferentes na maneira de abordagem no uso do objecto.O objecto, o actor e o boneco. O chapéu do actor, o actor e o boneco, o chapéu e o boneco, e o chapéu vira boneco. As marionetas usadas neste espectáculo são de manipulação directa e foram construídas por Rui Sousa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aires de Sousa, O Mestre - Faria hoje 105 anos


Aires de Sousa, O Mestre!

Faria hoje 105 anos, mas com alegria e juventude viveu até às 102 primaveras. Foi meu professor, mestre, tio, avõ e ensaiador.

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Meados de Outubro de 1917...

Ano e respectivo mês de várias aparições e revoluções...

Entretanto e inocentemente, um miudo traquina de doze anos, quando andava pelos telhados da casa do Sr. Joaquim Carvalho, em Paços de Brandão, pára de repente, quando ouve de uma janela trechos de um violino a tocar... "Nabucco" de Verdi.

Costumavas dizer que «aquela música ficou-me na alma de tal forma que dei por mim a chorar». Acendeu-se uma centelha, que durou toda a tua vida... e que vida avô!! As palavras que disseste a seguir foram para o teu irmão: «Como eu gostava de saber tocar assim, como o sr. Joaquim». O teu sonho torna-se realidade pouco tempo depois. Aprendeste rápido. A música estava no teu sangue... literalmente. Teu irmão António era um grande violoncelista. Teu pai - meu bisavô - também tocava; tua mãe - a famosa "mãe Guida" fundou o grupo "Como Elas Cantam e Dançam em Paços de Brandão". Tu acreditavas «que os dedos são criados do violino». À medida que os anos foram avançando, procuras-te conciliar a tua vida familiar com a eterna paixão pelas cordas. Não eram tempos facéis. Eram tempos em que o estômago era leve como uma pena. Pelo caminho o amor criou raízes. Conheceste a mulher da tua vida enquanto brincavas com um amigo. É assim que acontece, o amor apanha-nos nos momentos mias inesperados, tornando dessa forma o sentimento mais maravilhoso. Dessa maravilhosa união nasceram doze filhos. Costumavas garantir às pessoas mais próximas que não fosse o falecimento da tua amada mulher, há trinta anos atrás, e ainda hoje estariam juntos... mas foste corajoso e heróico, tiveste aquilo a que Hemingway chamava "grace under pressure", a capacidade de manter uma certa graça na adversidade e na tragédia. Sobreviveste. Foste professor de imensos alunos. Perdias a conta aos alunos que ensinaste. Foste um autodidacta, e dessa forma, além do violino, aprendeste com a mestria que te caracterizava, a tocar o violão, contrabaixo, viola braguesa, guitarra clássica, cavaquinho e bandolim.Mas o que eu gostava mais de te ouvir tocar era o violino. Só podia ser dessa forma, porque nós percebemos claramente - como se fosse água cristalina - quando alguém se entrega a alguma coisa de forma apaixonada. E tu tocavas de olhos fechados. Tocavas arrebatadoramente. Apaixonadamente. Nos tempos livres que te restavam, além de dares as tuas aulas - que prazer imenso quando te observava a ensinar - gostavas de dar os teus passeios, a pé ou de carro, com a minha mãe - tua grande amiga - ou com os inúmeros amigos que te prezavam. Na tua terra de sempre - Paços de Brandão - começaram a festejar o teu aniversário quando tinhas noventas e poucos. Mas tu respondias sempre com a ironia fina mas fraterna que te caracterizava... foste sempre avisando que ainda tinham muito que celebrar. Até aos 102 anos quando resolveste partir. No dia do teu "último" aniversário - 06/01/07 - e quando eu já sabia que seria o último, ainda tiveste força para tocar o teu amado violino. Poucos dias depois, perto do final do mês de Janeiro, falecias. Foi durante a madrugada, rodeado de amigos e familiares. Os anjos enlevadamente levavam-te para empreenderes a tua musica. Agora celestial. A tua forma despretenciosa, justa e cheia de coragem de como encaraste a tua vida; a forma como passaste esses anos todos ricos de vida. Ricos de sentimentos. De amizades, risos e lágrimas. Cheios de amor e alegria, mas também de tristezas, imensas tristezas, porque só foste o que és porque sofreste. O que não nos derruba só nos torna mais fortes. Essa tua forma de viver, o teu exemplo é para mim uma inspiração, uma mais valia para minha vida. Não imaginarás, porventura, o privilégio e a felicidade que tenho por ter vivido contigo, convivido contigo, por ser teu neto, sangue do teu sangue. Tu costumavas-me dizer com um sorriso rasgado e sentido: «Nunca te esqueças... a vontade e o sentimento fazem milagres!».

E tinhas razão avô.

Nasceste a 06 de Janeiro de 1905, Dia dos Reis.


Cláudia Sousa

Animação circulante

Personagens circulantes em interacção com público fixo e flutuantes para eventos em pequenos e grandes espaços. Marionetas de fios acompa...