sábado, 24 de dezembro de 2011

O Bonecreiro na tirada da cortiça

Hoje tive o prazer de realizar e dedicar um espectáculo de Teatro D. Roberto a um jovem casal octagenário do Ciborro - Montemor-o-Novo. A Dona Ermelinda e o seu marido Benígno Salvaterra deram-me almoço na sua casa no Ciborro, e viajaram comigo e com o meu cunhado (seu neto) para celebrar o Natal em família em Azeitão. Pela hora da ceia 'puxei' da barraca e fiz 'O Barbeiro' para todos os que estavam à mesa, dedicando esta função ao casal Salvaterra.
No final o senhor Benígno disse-me assim: 'Eu quando era gaiato, tinha eu uns 8 ou 9 anos, ia com os meus pais para as tiradas da cortiça. No final do dia vinha um bonecreiro como você de carroça, e nas varas da carroça montava o pano e fazia o espectáculo para toda a gente da tirada. Aquilo era uma alegria. E eu ainda era pequeno... ia com os meus pais. Eles iam trabalhar e eu lá andava com eles de monte em monte.'
Aqui está mais um testemunho e uma testemunha viva de que o nosso país há 70 anos estava 'inundado' de bonecreiros, e cada região tinha os seus com as suas particularidades. Neste caso, na zona de Montemor-o-Novo, havia este da carroça. Quem seria ele? De onde viria? Que espectáculos faria? Incógnitas para a vida. Mas a razão sempre ao de cima; o bonecreiro e as suas funções para o povo.
Eu também sou bonecreiro, talvez com uma vida mais folgada do que outrora, e este Natal recebi e partilho mais um testemunho.

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