terça-feira, 25 de novembro de 2014

TOURADA À PORTUGUESA (das Marionetas da Feira) - aspectos, raízes e diferenças


TEATRO D. ROBERTO
das Marionetas da Feira
 

”TOURADA À PORTUGUESA"
e
"O BARBEIRO"


A Tourada é nada mais que uma sucessão de cenas ligadas à tradição tauromáquica. O bandarilheiro, os forcados, o toureiro a cavalo e o tourinho, travam-se em cenas de pura comédia, onde o touro leva sempre a melhor. Todos os personagens foram construídos e desenvolvidos seguindo a tradição da confecção dos personagens do Teatro D.Roberto.

No caso da nossa companhia temos aspectos que diferenciam as outras companhias e bonecreiros, por exemplo, o facto de os nossos forcados usarem gravatas pretas em sinal de luto, uma das marionetas ser o Ricardo Chibanga (o primeiro toureiro africano), o facto de termos também o cavaleiro (sendo este de vara), usarmos uma bandeira branca para tréguas entre faienas... enfim... cada um usa a sua artilharia.

“O Barbeiro” é uma das histórias desta vertente do teatro de marionetas tradicional português. D. Roberto, o herói popular, vai ao barbeiro no dia do seu casamento para que este lhe faça a barba. Em reacção ao montante a pagar, visto ser caro, D. Roberto protesta e recusa-se a pagar, resultando desta uma “pancadaria” sem fim onde todos os personagens são vencidos pelo herói. O barbeiro, o polícia, o padre, a morte e até mesmo o diabo contracenam com o nosso herói em cenas de humor e de justiça popular.

O Teatro de Robertos representa, seguramente, uma das tradições mais antigas das artes cénicas, não só na sua vertente portuguesa e europeia, mas também nos heróis populares do oriente. De facto, a origem desta forma de arte popular de representação remonta, na tradição europeia à Commedia dell'Arte italiana do século XVI e não parece ser improvável que as tradições orientais tenham tido, de alguma forma, influência na evolução deste tipo tradicional de representação.
É durante o século seguinte que a deambulação de artistas, principalmente franceses e italianos, proporciona uma miscigenação neste tipo de teatro, estando a sua evolução intimamente relacionada com as especificidades culturais de cada país. Em todo o caso, traços constantes atravessam todas as tradições europeias de heróis populares: o carácter subversivo/burlesco dos textos e representações, a utilização de palhetas que emitem sons estridentes (simultaneamente ideais para captar a atenção do público bem como para realçar a sincronização gesto/som, tão importante na criação de uma aparência de "vida" nos pequenos bonecos de luva) e, por fim, a invencibilidade dos heróis, capazes até de vencer o pior dos inimigos - a morte. Contudo, interessa realçar a peculiaridade da ramificação portuguesa, visto todas as personagens envolvidas possuírem " voz de palheta".
Em Portugal, o herói popular chega aos nossos dias com o nome de D. Roberto, apesar de, no século XVIII, várias serem as designações para este teatro de fantoches de luva. A prevalência deste nome está, por ventura, ligado a uma comédia de cordel com grande repercussão, intitulada "Roberto do Diabo" ou a um conhecido empresário de teatro de fantoches, Roberto Xavier de Matos.

1 comentário:

  1. Muito importante o conhecimento da evolução de um espectáculo tão popular em Portugal. Muito bom!

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